30/11/15 | A estrada continua
por Thamara Laila


A iluminação da pequena sala vinha, apenas, da porta de vidro que dava para o estacionamento. As cadeiras estavam vazias, a sala gelada. Ela sentou na segunda cadeira perto da porta. Encarou os pés e mexia freneticamente nos cabelos. Olhar ansioso, boca seca. Coração acelerado, apertado. Uma menina cheia de esperança com um papel branco nas mãos.

Há dois anos, ela tinha conquistado o primeiro degrau do seu maior sonho para ser repórter em um grande veículo. Estava com a carta de admissão na mão, esperando os demais estagiários chegarem para o exame. Cada detalhe daquela sala importava demais. Só ela sabia o quanto tinha lutado para estar ali. Aquela menina da Baixada Fluminense, que sempre ouviu que "só entrava no jornalismo os indicados". Aquela menina tinha conquistado uma vaga. E, pela primeira vez, sentia-se orgulhosa.

Cerca de dois anos depois, ela está na mesma sala, passando pela mesma loucura de sentimentos. Mas há algo mais perturbador dessa vez. Aquela menina não tem mais uma lista interminável de objetivos, não tem mais a vontade de explorar cada detalhe daquela empresa, não está com as mãos suando por entrar na (tão sonhada) redação. Aquela menina não carrega um papel de começo, e sim, de fim. O que aconteceu? A vida.

"Os sonhos mudam", todos dizem isso. Mas ela tinha tanta certeza. Foi criada para sonhar com uma vida profissional. Os planos eram exatos: ser uma grande repórter, mudar vidas, tocar vidas, ser bem sucedida, crescer profissionalmente, viajar o mundo contando a história por trás de suas grandes histórias. O que aconteceu? A realidade.

Mais difícil que sonhar. Mais difícil que realizar um sonho. É admitir que aquele sonho acabou. É engolir as frustrações, é assumir que os planos não saíram como planejado. Há meses, ela estava lutando. Tentando manter a chama do sonho viva. Mas a chama apagou. E, agora? O que acontece? Novamente, a vida.

A vida mostrando que somos capazes de mudar, de nos recriar. A vida mostrando que todos podem ter mais de um sonho (incrível). A vida te empurrando para algo melhor. A vida te tirando da zona de conforto. Ei, menina. Ergue essa cabeça, limpa essas lágrimas, respira fundo. Continue acreditando em você e se joga nesse mundo. A vida é isso. Ela aperta, empurra, estica, derruba, levanta. 

A vida acontece (você querendo ou não). Esse sonho acabou, mas a estrada continua. Não fica sentada na cadeira. Levanta, sacode a poeira e vá à luta. Em busca de que? Agora, isso não importa tanto. Você não precisa ter tudo planejado para tomar uma atitude. Vai sem planos. Ultrapasse seus limites, conheça novas culturas. Vai, não pare para descansar. Vai ofegante, vai com os olhos inchados. Vai conquistar o mundo sem listas. Vai com coragem. Aposto que você descobrirá algo ainda mais incrível no caminho. Vai com fé. Como sempre foi. 

E se a estrada ficar muito difícil, lembre-se: eu ainda acredito (de olhos fechados) em você.

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13/09/15 | Filme: A incrível história de Adaline
por Thamara Laila


Todo dia após o plantão ou no fim de um domingo sozinha, minha programação é escolher um filme, me jogar na cama, comer um pipoca de panela e ponto. Adoro esses momentos. Vou aproveitar que faço isso com certa frequência e dar umas dicas de filmes para você. Não vai ser nada como crítica de cinema, é mais uma dica mesmo.

O filme deste domingo foi "The Age of Adaline", em português "A Incrível História de Adaline". Dirigido por Lee Toland Krieger e escrito por J. Mills Goodloe e Salvador Paskowitz, o drama romântico conta a história de Adaline Bowman, interpretado pela linda Blake Lively. A jovem nasceu em 1908. Casou-se, teve uma filha. Perde o marido durante um acidente na construção da Ponte Golden Gate

Um dia começa a nevar em Sonoma, na Califórnia. Adaline, de 29 anos, está na estrada, perde o controle do veículo, ultrapassa uma ponte e cai dentro da água. O coração dela para de bater, porém um raio atinge seu corpo, o que a faz voltar a vida. Após isso, ela não envelheceu mais nenhum dia.




Ela vive de forma solitária, fugindo o tempo todo para que as pessoas não percebam isso. Não cria laços com ninguém e também precisa se afastar da vida. Ela não fala sobre esse problema com ninguém. Até que seu caminho cruza com o jovem Ellis Jones, interpretado por Michiel Huisman. A partir daí, as coisas começam a mudar. Adaline tem um grande confrontamento com o passado e precisa darão uma guinada na sua vida. 


A história de Adaline me fez pensar sobre o futuro. Sobre como seria viver para sempre e viver uma vida onde perderia todas as pessoas que mais amo. Me fez pensar sobre a solidão. A história é contada de uma forma simples, com detalhes legais sobre o passado. Gostei bastante da atuação da Blake. Pelo menos, não vi nada da famosa Serena nela. 

Algumas coisas acontecem rápido demais, como o amor de Adaline e Ellis. Mas depois entendi que tinha que ser dessa forma. Afinal, não podemos dar um tempo para o amor. Confesso que esperava outro final, mas não fiquei chateada com o que aconteceu. No geral, gostei bastante do filme. 

Ficou curioso? Então, dá um confere o trailer.


Ah! O filme já está disponível no Netflix.

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O pedido de casamento é um dos momentos mais inesquecíveis na vida de um casal. Percebi isso, de verdade, ao acompanhar as minhas amigas mais próximas que ficaram noivas. Por sorte, o meu grande amigo Isaac Andrade me chamou no WhatsApp pedindo ajuda para tornar o pedido dele o mais especial possível.

Não deveria ser tão difícil pensar no pedido. No entanto, a namorada dele e minha melhor amiga Amanda Lira é difícil de driblar e enganar. Ela ficava jogando piadinhas e desconfiava de tudo. Se o Isaac fosse bom interpretando seria fácil, mas ele não consegue mentir, nem esconder nada dela. Logo, a gente precisava bolar uma situação que ela não desconfiasse de nada. 

Foi assim que surgiu a ideia do piquenique no quarto. Começamos a pensar nos detalhes. Ele sabia que ela gostava de coisas DIY (Faça você mesma). Aos poucos, conseguimos deixar tudo muito especial e a noiva não desconfiou de nadinha. O pedido ficou tão bacana que decidi compartilhar umas dicas com vocês:

A decoração do pedido ficou desse jeitinho

O que você precisa para montar esse pedido de noivado?

1) Pense nas coisas favoritas da sua namorada como: comidas, músicas, detalhes de decoração
Foi respondendo a essas perguntas que o Isaac me contou que a Amanda adorava decoração com caixotes de feira, que ela curtia mural de fotos e flores. Esse ponto é muito importante.

2) Aproveite os utensílios e objetos da sua casa
Usamos mantas como o lençol para montar o espaço, jarras de vidro mais bonitinhas e cestinhas. Se não tiver nada novo ou bacana, recorra a cozinha dos amigos. Não deixe nada em caixinha ou sacolas. Por exemplo,coloque aquele suco em um jarra legal que isso já dará cor e um toque diferente.

3) Monte um mural de fotos
Separe algumas fotos, pregadores de casa mesmo e um barbante ou lã. No nosso caso, recortamos uns coraçõezinhos para deixar os pregadores mais bonitinhos. Ah, também usamos adesivos fotos nas pontos para pregar o mural.



4) Não exagere na comida e pense com cuidado na decoração
Fizemos um café da manhã simples e barato. Lista de comidas de Isaac e Amanda: bolo de cenoura com chocolate, bolo de aipim, pão francês, pão doce, presunto, queijo, suco de uva e laranja, leite, café e um pão salgado. Além de uma cestinha de frutas. 
Ah, lembre-se que as comidas devem ter uma estética legal para compôr o piquenique.

5) Post-it com mensagens ou promessas
O Isaac escreveu algumas mensagens em post-it e espalhamos em algumas paredes. Uma era "Prometo sempre te fazer feliz" e penduramos perto do violão dele. A outra é uma frase da música favorita da Amanda "E até quem me vê lendo jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei" e colocamos, óbvio, colocado na cestinha do pão.

6) Junte presentinhos antigos do namoro
O Isaac separou todas as cartinhas, caixinhas e lembrancinhas que ganhou da Amanda. Isso deu um toque muito legal na decoração.

7) Mais fotos, por favor
Sempre é bom umas fotos a mais, né?! Por isso, o Isaac comprou dois porta retratos e colocamos perto das comidas. O legal é que ele escolher um com uma ilustração dos versículos favoritos dela.



8) Flores são sempre bem-vindas
Compramos quatro jarrinhos de R$ 3 e espalhamos pelo espaço. Além disso, o Isaac jogou umas pétalas rosas rodeando a manta. 

9) Combine com os pais dela ou alguém da família
Para ter acesso, contamos para a mãe dela que ajudou nos detalhes e foi quem pediu para a Amanda descer (dando uma desculpa para ligar a bomba)

10) Personalize algum objeto
O Isaac e a Amanda adoram tomar café juntos. Por isso, quando começamos a pensar na decoração, decidimos fazer uma xícara personalizada. Foi tudo muito rápido, mas a gente contou com a super Canecria. Ela montou duas xícaras com frases que se completavam e ilustração de dois violões, um marrom do Isaac e o preto da Amanda. A noivinha gostou tanto que já decidiu que essa é a primeira porcelana da futuro casa deles.


11) Seja você mesmo no discurso. Abra todo o seu coração.
Quando a Amanda abriu a porta, o Isaac colocou para tocar uma música que ele fez para ela e começou a falar do fundo do coração. Sem texto memorizado. Ao final, ajoelhou-se e fez o pedido. E ela disse sim. (lágrimas de emoção, por favor)

12) Escolha um lugar com uma história
O Isaac e a Amanda já fizeram um jantar romântico nesse quarto durante uma comemoração de aniversário. Logo, o espaço já tinha um significado para eles. Do que adianta fazer o pedido no pôr do sol da praia, se sua namorada detesta praia? 

Pelos olhos inchados, dá para notar que teve pouco choro haha
Foi um pedido de casamento único, cheio de detalhes do namoro deles e que a pegou totalmente de surpresa. Ah, e não saiu nada cara. Gastamos apenas com a revelação da foto, a comida e a xícara. 

Na hora de fazer o tão esperado pedido, pense no estilo da sua namorada, na história de vocês. Escolha um lugar que tem significado. Seja sincero. E não tenha vergonha de mostrar seus sentimento. Deixe o amor transbordar e contagiar!

Agora, só posso agradecer o Isaac por me deixar fazer parte de um momento tão único, e desejar felicidades e mais felicidades a esse casal que tanto amo!

"Meu amor é teu 
mas dou-te mais uma vez
Todo o teu amor
Eu vi de longe
De longe, de longe
Dava pra sentir o teu encanto
Eu juro, eu juro"
Marcelo Camelo - Meu amor é teu

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11/08/15 | Chatô, o rei do Brasil, de Fernando Morais
por Alyne Bittencourt

Meu achadinho de sebo da época da faculdade                 Foto: Alyne Bittencourt



Atendendo a um pedido da Thamara, resolvi resenhar um livro que tem a ver com a nossa profissão (eu e ela somos jornalistas): "Chatô, o rei do Brasil". Mas não é um livro só pra quem fez, faz ou quer fazer Jornalismo.

Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, ou Chatô, como ele era chamado, viveu 76 intensos anos. Muitos deles, envolvido com comunicação (jornais, rádios, revistas, televisão) e também com política. Ele até teve certa participação na Revolução de 1930 que levou Getúlio Vargas ao poder.

Então ele é interessante pra quem gosta de história. Chatô também foi o responsável pela fundação do Museu de Arte de são Paulo! O livro narra da infância à morte de Chateaubriand, passando pelas estripulias quando foi embaixador do Brasil na Inglaterra e pelos muitos casos de amor, inclusive quando ele já estava com a idade meio avançada.

Também é curioso ver os bastidores do jornalismo de antigamente, sem computadores ou internet. Ver como foi a chegada da TV por aqui (Chatô foi quem trouxe a novidade pro país e foi dono da primeira emissora de TV, a Tupi).

Achei especialmente interessante ver o quanto ele podia manipular a política! O cara conseguiu que o presidente mudasse uma lei pra que ele pudesse manter a guarda da filha! Se isso não é poder, eu não sei o que seria.

O livro é grande, sem dúvida. Mas tem muitas fotos, e o texto é do Fernando Morais, ou seja, é uma delícia de ler.

Editora: Companhia das Letras Páginas: 732 Ano: 1997 
ISBN: 8571643962


P.S.: Notei que é meio difícil achar edição desse livro que não seja a econômica. Mas quem não gosta de econômica e não se importa com livro usado, dá pra achá-lo em sebos ;) 

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04/08/15 | Você não ficou
por Thamara Laila
Foto retirada do site www.heartit.com
Eu não pedi que você ficasse. Não implorei por sua atenção. Não fiz cara de raiva, nem bico de birra. Permaneci quieta. Quanto tempo é necessário para duas pessoas se entenderem pelo olhar? Quando tempo junto é necessário para que o outro não precise dizer nada para ser entendido? Não sei. Pelo visto, não temos o suficiente.

Eu não pedi, mas como queria que você tivesse ficado naquela noite. Como eu queria que você tivesse reparado nos meus gestos. Por que eu não comentei? Por que eu não pedi? Porque você ficaria contra a vontade. Porque eu não queria te forçar a ficar. Eu queria que você ficasse, entende? Simplesmente porque você queria ficar.

Queria que você escolhesse ficar porque era nos meus braços que você queria terminar a noite. Porque meus beijos eram a sua necessidade do dia. Eu só queria que você ficasse por naquele exato momento não tinha nada que você queria mais do que a minha companhia. Mas você não ficou. E, talvez, eu não fique mais.

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Olá, meu nome é Thamara Laila, tenho 24, moro no Rio, mas detesto verão. Sou carioca da gema, mas gosto mesmo é de dias nublados, se tiver chuva, melhor ainda. Sou jornalista, fotógrafa, geminiana, indecisa, teimosa e durona. Criei o Janelas Viajantes para dividir minhas crônicas, contos, experiências, histórias e um pouco do que vi, ouvi, vivi e quero viver. Aqui tem um pouco da loucura diária e seriedade da Thamara, dos sonhos da Laila e das urgências infinitas das duas. LEIA MAIS





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